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Viagens pela memória
De Roma com amor
Todos os caminhos vão dar a Roma, desde há muito os Deuses anunciam. Mas baralhemos as palavras e troquemos os sentidos das letras. Para fazer de Roma um amoR de perdição
Roma é uma cidade de paixão, de encanto, de magia e fantasia. Por ela queremos morrer de amor, derramar líbido em forma de olhar pasmado, ouvir a sua história com uma atenção de jovem enternecido, clamar o seu esplendor com gritos de perdição.
Amor e Roma confundem-se. Confundem-nos. Trocam-nos as voltas. Nos sentimentos e nos sentidos.
Palavras gémeas que nos tentam pelos caminhos da tentação, para nos fazerem chegar, sempre, ao mesmo destino. Vezes sem conta tropeçamos com o amor em Roma. Mas se formos no sentido contrário também lá chegamos. Não se contam as vezes. Fica-se, assim, no segredo dos deuses. Com muito que contar mas sem palavras para explicar. Porque o amor não se explica. Muitas vezes complica. Quando são tímidas as doses de perdição, sem qualquer explicação.
Há que ter amor por Roma. Apesar de não podermos ter como certo o amor de Roma. Como o bicho homem, que tem tanto de pedra esculpida pelos séculos, como de carne que cai em tentação, Roma e o amor têm de se conquistar. Com golpes de asa a cheirar a romance, em passo decidido para quebrar o gelo.
Devagar penetramos neste corpo que morre de amor, em jeito de travessia pelos sentidos. Exploramos os cantos e recantos, as curvas e os planos. Depois... depois vem o deserto de emoções, que acorda quando lentamente saímos porta fora, em busca de ar, à procura de espaço, quais esfaimados leões no coliseu, a espera que a jaula se abra para devorar a próxima presa. Prometeram-lhes Roma com amor e deram-lhes seres com sabor a ninguém.
Num pujante grito do Ipiranga, chamamos em voz alta pelo amor que se passeia por Roma. De peito aberto cruzamos as esquinas e tropeçamos nas suas gentes, ensaiamos manobras de sedução, perante olhares indiscretos de homens e mulheres cheias de volúpia. Tentamos desnudar com um esgar felino as sombras que nos atravessam. Falha-nos o alvo. Mergulhamos a cabeça nas suas fontes da trivialidade, numa tentativa desesperada de afogar os sentimentos que ficaram lá atrás.
É o último dia, e o amor já lá vai. Mas não se esquece. Como Roma, que fica para sempre.
M.S.P.
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